Observe os altos e baixos da vida com mente serena. A vida exterior não passa de um jogo.
Considere suas vitórias e derrotas com isenção de ânimo, como se estivesse assistindo a um filme. Depois de apreciar um belo drama, ou até um drama trágico, você não se contém:
– Que ótima história! Aprendi muito com ela.
De igual modo, mesmo depois de amargar acontecimentos trágicos em sua vida, diga a si próprio:
– Sou grato a essa experiência, que me ensinou muita coisa!
A vida precisa de variedade para ser interessante. Se um romance nos faz rir ou chorar, nós o apreciamos. Encare a vida como um bom romance ou um bom filme. Distancie-se um pouco dele mentalmente, contemple-o em perspectiva. Caso não goste do enredo, lembre-se: quanto mais livre você for por dentro, maior será sua capacidade de modificá-lo.
Tudo o que fizemos no passado, podemos desfazer.
Precisamos apenas da correta determinação, nascida de nossa liberdade cada vez mais ampla.
As pessoas gostam de jogos como o xadrez, aceitando com maior ou menor resignação vitórias e derrotas. No mesmo espírito, gostemos da vida, quer ela nos dê sucessos ou fracassos. Vivamos com serenidade, com senso de gratidão. Assim, festejemos o reencontro com os amigos verdadeiros – depois de sabe-se lá quantas reencarnações! E aceitamos com tranqüila confiança nossa próxima partida após a morte.
Sim, a vida é um jogo. Interesse-se por ele, mas permaneça sempre um pouco distanciado. Que nada o afete interiormente. Aconteça o que acontecer, saiba que nada é de fato real. Não faça como aquela pessoa que, exultando após uma vitória no xadrez, morreu de enfarte!
Mesmo em pleno sofrimento, mesmo durante a inexorável descida de seu corpo para velhice, mantenha uma atitude jovial.
Mudança e contraste são inevitáveis, tornando possível o grande jogo. Encare-os desapaixonadamente e não permita que definam quem você é por dentro.
Fonte: extraído do livro “Karma e Reencarnação”, de Paramhansa Yogananda. Editora Pensamento.