“Indeterminada é a duração do castigo, para qualquer falta; fica subordinada ao arrependimento do culpado e ao seu retorno a senda do bem;”
O Evangelho Segundo Espiritismo – Capítulo XXVII – item 21
O desejo do progresso é princípio ativo em todas as almas, induzindo a vontade para a ascensão nos domínios da evolução. Embora faça parte do processo natural de aperfeiçoamento individual em todo ser humano, esse desejo toma conotações bem específicas, conforme a natureza das provas vividas na erraticidade. Quanto mais dor e decepção no interregno entre as reencarnações, mais profundos anseios de mudança integrarão as aspirações desse coração em plena Terra, determinando alguns traços psicológicos. Esse desejo é mais intenso naqueles que já regressaram arrependidos ao corpo físico.
Particularmente, a maioria de nós, que somos atraídos para a necessidade imperiosa de renovação perante a vida nas linhas do bem, quando no retorno à escola terrena, carreamos na intimidade uma pulsante aspiração de nos transformarmos, em razão das angústias experimentadas pelas duras revelações descerradas pela desencarnação.
O traço psicológico característico desse quadro é um forte sentimento de cobrança conosco mesmo.
Conquanto dolorosa, essa é a forma pela qual a alma resgata o vínculo entre sentimento e consciência, “rompido” pela artimanha aprendida de negar sentimentos para “escutar” os alvitres da “voz interior”. Nunca enganamos a consciência, porque ela é o tribunal infalível da Verdade em nós. No entanto, desenvolvemos ao longo de milênios a “capacidade” de negar os sentimentos que ela nos envia, como sendo suas mensagens dirigidas ao bem. O coração é o espelho da consciência. Pelo que sentimos identificamos os apelos da consciência em favor do nosso progresso. Recusando reincidentemente, em séculos de rebeldia, os seus alvitres pelas vias do sentir, estabelecemos o que nomeamos como “cristalização do afeto”, um desajuste nos reinos da vida mental que causa inúmeros transtornos psiquiátricos.
Arrepender-se é criar um elo entre o que sentimos e a “voz de Deus” na intimidade. E somente um sentimento será capaz de consolidar esse resgate: o amor. Sem amor não existirá transformação para melhor. O auto-amor é a base da mudança pessoal. Somente amando-nos venceremos a severidade com nossas imperfeições, escapando das garras da culpa e do perfeccionismo. Somente amando-nos permitiremos a alegria com as pequenas vitórias de cada dia, acostumando a valorizar nossos esforços na aquisição do otimismo e da motivação para prosseguir. Somente amando-nos encontraremos estímulos para caminhar um tanto mais.
Arrependimento é via de redenção.
Mesmo em desacordo com as definições da filosofia e da psicologia humanas, tratamos aqui do arrependimento como sendo a “nossa maior conquista”, uma “virtude”, e não somente um estado mental passageiro que decorre de atitudes equivocadas. É uma virtude porque se trata de uma vitória substancial para que a alma, arraigada nos tormentos da ilusão, possa libertar-se dos resultados infelizes de suas atitudes milenares.
Para nós que abraçamos a causa espírita, nossa única qualidade é a de almas que nos arrependemos do mal e desejamos ardentemente o bem.
O arrependimento é nossa maior conquista, porque através dele já estamos procurando a reparação pelo labor no bem e pela reeducação dos costumes. Somente dessa forma somos capazes de vencer um dia após o outro, sem desanimarmos da oportuna semeadura de amor que começamos a plantar, independente das tormentas interiores provocadas pelo bisturi das “dores emocionais” que venhamos a experimentar.
Só o bem repara o mal. Só o bem nos dará energias essenciais para continuar.
Concluímos, portanto, que lutar e tentar, errar e recomeçar fazem parte da longa caminhada regenerativa, e somente uma atitude pode fazer com que o arrependimento transforme-se em loucura ou perturbação, fracasso ou queda: a desistência de tentar, pois assim transformaremos o arrependimento impulsionador em remorso estagnante e tortura mental a caminho do desajuste…
Trabalhemos incessantemente pelo bem.
Fonte: extraído do livro “Reforma Íntima Sem Martírio”, de Wanderley S. de Oliveira, pelo espírito Ermance Dufaux. Editora INEDE.
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